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A Terceira Margem – Parte CCXXIX – Expedição Centenária Roosevelt-Rondon 1ª Parte – IX

Publicado em: 02/06/2021 - 7:17

Expedição Centenária Roosevelt-Rondon
1ª Parte – IX

Theodore Roosevelt – III

O Paiz, n° 10.604 ‒ Rio de Janeiro, RJ
Domingo, 19.10.1913

Roosevelt

A Sua Visita ao Brasil

O programa da recepção nesta capital ainda não está definitivamente assentado ‒ Telegrama do Sr. Ministro do Exterior para a Bahia ‒ Em vez de três dias, espera-se que Roosevelt demore-se uma semana no Rio de Janeiro ‒ Excursão com Senadores e Deputados à Tijuca e à Gávea ‒ Chegada do eminente estadista à Bahia ‒ O povo o recebe com entusiasmo ‒ Discursos de Roosevelt ‒
Últimas notas.

[…] Constando que era, intenção do ilustre estadista “Yankee” demorar-se apenas três dias entre nós, seguindo logo depois para S. Paulo, somos informados de que o Sr. Ministro das Relações Exteriores telegrafou para a Bahia, perguntando-lhe se não seria possível dilatar esse prazo, aqui ficando uma semana. Se a resposta do ilustre viajante for favorável, é possível que tenha ensejo de poder apreciar com mais segurança os nossos progressos materiais e econômicos e o grau de elevação da nossa cultura intelectual no convívio dos nossos homens mais notáveis nas ciências, nas letras e na política.

É assim provável que, no mesmo dia em que o Sr. Lauro Müller oferecer ao Sr. Roosevelt, em nome do Governo, uma “Garden Party” no Jardim Botânico, faça S. Ex., em companhia de diversos Senadores e Deputados, uma pitoresca excursão pela Tijuca e pela Gávea. […] Os excursionistas almoçarão no Alto da Tijuca e depois de passearem os pontos mais dignos de admiração dessa deliciosa serra, descerão pela estrada da Gávea até ao Jardim Botânico, onde encontrarão já reunida toda a alta sociedade carioca. […] Como se verá do telegrama que abaixo publicamos, o Sr. Roosevelt foi condignamente recebido na Bahia, associando-se todas as classes sociais às demonstrações de apreço promovidas pelos poderes públicos do Estado. […]

S. SALVADOR, 18.12.1913

Chegou hoje, a bordo do paquete “Van Dyck”, que amanheceu no porto desta cidade, o Coronel Theodore Roosevelt, Ex-presidente dos Estados Unidos da América do Norte, acompanhado de sua comitiva.

Às 07h00, a bordo do iate “Dois de Julho”, dirigiram-se a bordo daquele paquete o Dr. J. J. Seabra, Governador do Estado; representantes do mundo oficial e o cônsul americano nesta cidade, apresentando as boas-vindas ao ilustre viajante e sua comitiva. Após os primeiros cumprimentos, os ilustres excursionistas transportaram-se para bordo do iate “Dois de Julho”, tomando este a direção do Arsenal de Marinha, onde se efetuou o desembarque. Todos os navios surtos neste porto embandeiraram em arco.

Apesar da hora, o Arsenal de Marinha e suas circunvizinhanças achavam-se repletos de povo, desembarcando o Sr. Roosevelt e sua comitiva, às 08h00. Por essa ocasião prestou continências ao eminente estadista o 3° Corpo de Polícia, tendo o povo prorrompido em aplausos e aclamações ao Sr. Roosevelt. Foi, então, organizado um imponente cortejo de 40 automóveis, que tomaram direção do Palácio do Governo. O Sr. Roosevelt seguiu em “landau”, do Estado, em companhia do Dr. J. J. Seabra, Governador do Estado; Dr. Júlio Brandão, Intendente e do representante do General João José da Luz, Inspetor da 7° Região Militar, com sede nesta capital, sendo o “landau” escoltado por um Esquadrão de Cavalaria. Durante o trajeto, o Sr. Roosevelt foi constantemente aclamado. Em, frente ao Palácio do Governo prestou continências ao ilustre Ex-chefe de Estado o 1° Corpo de Polícia. Após um pequeno descanso, foram servidos doces e chocolate aos ilustres hóspedes, organizando-se, em seguida, um cortejo, que percorreu as obras da Avenida 7 de Setembro, indo até o arrabalde da Graça, voltando depois à cidade, visitando o Sr. Roosevelt e sua comitiva a igreja de S. Francisco e a Faculdade de Medicina. Este último estabelecimento, cujas dependências foram detalhadamente percorridas pelo Sr. Roosevelt, recebeu de S. Exª calorosas referências, dizendo S. Exª ser, no gênero, um dos melhores do mundo.

 

Sempre acompanhado do Dr. J. J. Seabra, do Dr. Júlio Brandão e de outra autoridades estaduais e municipais, dirigiu-se o Sr. Roosevelt ao edifício do Conselho Municipal, onde assistiu à sessão solene, realizada em sua honra.

 

Nesse estabelecimento achavam-se representantes de todas as classes sociais, da imprensa e diversas famílias da elite baiana, sendo o Sr. Roosevelt muito aclamado à sua chegada. […] Agradecendo, disse o Sr. Roosevelt lamentar não conhecer a língua portuguesa, a fim de dirigir palavras ao povo baiano manifestando a sua gratidão pelo feliz acolhimento que aqui teve, e também por parte do Governo do Estado, sentindo-se ainda penhorado pela saudação que lhe dirigiu o Dr. Francisco de Castro Rebello, devendo confessar que em toda a sua vida político social tem encontrado todo o auxílio por parte da classe médica. Em seguida, S. Exª fez referências à Bahia, salientando a sua remodelação, dizendo que este Estado, que conhece agora, pessoalmente, já o conhecia de nome, pelas suas riquezas, fazendo, referências, também ao seu Governo e terminando em dirigir uma saudação ao Estado da Bahia, nas pessoas do Dr. Seabra, seu Governador, e do Dr. Júlio Brandão, Intendente de S. Salvador. Ao terminar o seu brilhante discurso, o ilustre excursionista foi delirantemente aclamado pela numerosa e seleta assistência. Após a sessão solene do Conselho Municipal, em bonde especial, acompanhado de mais seis bondes repletos de povo, dirigiu-se o eminente estadista, em companhia de todas as autoridades estaduais e municipais, ao edifício do Instituto Normal, onde tomou parte no banquete de 200 talheres, oferecido em sua honra. […] (O PAIZ, n° 10.604)

 

 

O Paiz, n° 10.605 ‒ Rio de Janeiro, RJ
Segunda-feira, 20.10.1913

A Sua Chegada Hoje ao Rio de Janeiro

Welcome Sir Theodore Roosevelt

O Rio de Janeiro vai ter hoje a honra de hospedar o Sr. Theodore Roosevelt. Raros homens de Estado têm sido mais discutidos e atacados do que o Ex-presidente dos Estados Unidos.

A sua nomeada, hoje mundial, é em boa parte devida ao grande ruído que muitas vezes se há feito em torno de sua personalidade, quer como político eminentemente ousado e franco em suas ações e modos de pensar e sentir quer como sociólogo e cientista, um tanto original nos seus conceitos e nos seus escritos, quer pessoalmente, como simples cavalheiro, dotado de qualidades muito distintas e recomendáveis de coração e de caráter.

 

O Brasil político e o Brasil intelectual vão agora apreciá-lo de perto; e, estamos certos, a impressão que há de deixar entre nós, bom amigo que se tem mostrado sempre do nosso País, há de ser a mais agradável e auspiciosa, consolidando ainda mais a velha simpatia que nos liga à sua gloriosa Pátria.

 

Como uma amostra do grande valor moral e intelectual do ilustre estadista que nos vai honrar com a sua visita, publicamos hoje o mais famoso de seus discursos. Essa notável peça oratória, seguida, meses depois das memoráveis mensagens que dirigiu ao Congresso Norte-Americano, em 04.01.1904 e 06.12.1904, provocou os mais calorosos e variegados comentários por parte dos grandes órgãos da imprensa europeia e alguns da sul-americana, tendo também levantado acesas polêmicas no próprio jornalismo “Yankee”. À 30.04.1903, escreve um dos seus mais impenitentes adversários, ao se inaugurar a Exposição S. Luiz, o Sr. Roosevelt pronunciou um discurso, que não pôde passar sem os mais severos e meditados comentários.

 

Nenhuma das suas numerosas orações, como Presidente dos Estados Unidos, indica com mais propriedade o estado de espírito atual do povo americano. Nenhuma sintetiza mais completamente o seu orgulho do passado e a sua confiança no futuro. Nenhuma poderia mais fielmente fazer compreender as tendências do Presidente e as da grande Nação, de que era, ao mesmo tempo, o eleito, o representante mais autorizado, a personificação mais absoluta!

 

Na verdade, o que querem demais a mais os Estados Unidos é se tornarem uma das maiores potências e, talvez mesmo, a maior potência do Universo. E para alcançar esse fim, estão prontos a tudo arriscar; e, contra aqueles que se insurgem contra os seus planos, o Sr. Roosevelt está sempre disposto a responder que a expansão continua é uma lei natural de todo o organismo vivo, e que, seguir essa lei, é dar prova de uma sabedoria maior que a maior sabedoria daqueles que julgam ser mais sábios, mostrando-se menos ousados.

 

É ele ainda quem nos afirma que não é só a audácia que o povo americano deve os seus sucessos passados, e deverá, sem dúvida, os futuros no seu incessante trabalho de expansão territorial; mas, à excelência das suas instituições, que são aos olhos dos americanos, como afirma Hanser, as melhores que se possam sonhar, instituições que seria até legítimo e caridoso impor ao mundo inteiro, impondo-lhe com o mesmo golpe, como meio de alcançar a felicidade completa, “a dominação americana!

 

Eis a famosa peça oratória do Ex-presidente, ao abrir a exposição de S. Luiz, peça em que, desde as primeiras palavras, se sente o vibrar incessante do mais intenso amor à sua grande e gloriosa Pátria:

 

Nós estamos reunidos aqui para celebrar o centésimo aniversário do acontecimento capital, que, mais do que nenhum outro, desde a fundação deste Governo [abstração feita, bem entendido, das lutas pela sua conservação], determinou o caráter da nossa vida nacional, determinou que seríamos uma grande potência sempre em expansão, em lugar de um País relativamente pequeno e estacionado. Não foi, na verdade, com a aquisição da Luisiana, que começou a nossa carreira de expansão. Em meio da guerra, da Revolução, a região de Illinois, que compreende os Estados atuais de Illinois e de Indiana, foi acrescentada ao nosso domínio pela força das armas e consequência da expansão aventurosa de George Rogers Clark e de seus mosqueteiros da fronteira. Os Tratados de Jay e de Pinckney, mais tarde, estenderam de uma maneira importante os novos domínios para o Oeste. Mas, nenhum destes acontecimentos teve um caráter muito notável para ferir a imaginação popular.

 

As antigas Treze Colônias tinham sempre reclamado o direito de se estender para lado de Oeste, em direção ao Mississipi, e por mais vagas que fossem essas pretensões, até que a conquista a ocupação e a diplomacia as tivessem feito boas, não contribuíram menos para dar impressão de que os movimentos do nosso povo para o Oeste não eram mais do que uma maneira muito natural de preencher um domínio nacional já existente. Mas, não podia haver nenhuma ilusão relativamente a aquisição do vasto território, que, além do Mississipi, se estendia naquele rumo, e que era já então conhecido pelo nome de Luisiana. Nenhum de nós tinha em tempo algum reivindicado dele um só polegar. A sua aquisição não podia, de modo algum, ser considerada como cumprimento de reivindicações já existentes.

 

Quando fizemos demonstrar, da maneira a mais evidente, que, uma vez por todas e de propósito deliberado, teríamos de embarcar em uma carreira de expansão, e que tínhamos tomado de todo um lugar entre essas nações empreendedoras e ousadas que sabem arriscar muito com a esperança e o desejo de ocupar um posto importante entre as grandes potências do Universo. E, como acontece muitas vezes, na natureza, a lei desenvolvimento natural de todo o organismo vivo se afirmou por seu turno na própria obra, provando que ela era mais sábia que a sabedoria dos mais sábios… Nunca, antes disso, o mundo tinha visto uma expansão do gênero da que se deu à nossa nação toda esta parte do continente americano, que se acha a Oeste dos nossos treze Estados primitivos. Nosso triunfo na marcha da nova expansão ficou indissoluvelmente ligado ao sucesso de nosso sistema particular de Governo Federal.

 

Quando os nossos antepassados se reuniram para chamar à existência esta nação, empreenderam uma tarefa que não tinha um precedente sequer para encorajar. O desenvolvimento da civilização desde os períodos mais remotos parecia estabelecer a verdade destas duas proposições: primeiro, que tinha sido sempre muito difícil assegurar ao mesmo tempo em um Governo a liberdade e a força; segundo, que tinha sido demonstrado, como quase impossível para uma nação, engrandecer sem se desmembrar, ou sem se tornar uma tirania centralizada. Do sucesso de novos esforços para combinar uma união nacional, forte, real e capaz de reprimir toda a desordem no interior, de salvaguardar fora do País a nossa honra e os nossos interesses, não preciso falar-vos. Esse sucesso foi assinalado e particular importante; mas não se pode negar que foi sem precedente, atendendo-se a que o nosso modo de expansão não teve também precedentes.

 

A história de Roma e da Grécia sintetiza admiravelmente os dois modos de expansão que foram empregados nos tempos antigos e que tinham sido universalmente admitidos como sendo os dois únicos possíveis até o dia em que começamos nós mesmos a tomar posse, como nação, deste continente. Os Estados gregos realizaram notáveis feitos de colonização; mas, apenas criada, cada colônia tornava-se independente da metrópole e era, anos depois, tão susceptível de se tornar sua inimiga como de ficar sua aliada. O “self-government” local, a independência local, eram assegurados, mas unicamente pelo sacrifício de tudo que podia assemelhar-se a uma unidade nacional. O poder e a grandeza nacionais eram sacrificados à liberdade local. Com Roma, foi exatamente o contrário, o que aconteceu. A Cidade imperial elevou-se à dominação absoluta a princípio de todos os povos da Itália, depois estendeu a sua lei sobre todo o mundo civilizado, por um processo que manteve a nação forte e unida; mas fez isto sem deixar lugar algum para as liberdades locais e para as administrações autônomas. Todas as outras cidades e todas as outras nações tornaram-se súditas de Roma. Em consequência disso, esta grande e magistral raça de guerreiros, governantes, construtores de estradas e administradores imprimiu o seu cunho indelével em toda a vida posterior da nossa raça. Ela deixou, portanto, que uma supercentralização desunisse os elementos vitais do seu Império até que se tornou uma casca vazia de modo que, quando vieram os bárbaros, estes não desuniram senão o que já era sem valor para o Mundo.

 

O vício inerente a cada um destes sistemas era assaz evidente, e o remédio hoje parece muito simples: mas, quando os próceres da nossa República formularam a princípio a Constituição, sob a qual vivemos, ninguém podia predizer como funcionaria. Eles mesmos começaram quase imediatamente a experiência, acrescentando novos Estados aos treze primitivos. Excelentes espíritos na parte Este de nossa Nação viam com grandes sustos esta expansão inicial do País. Do mesmo modo que durante o período colonial, muitos bravos cidadãos da mãe Pátria consideravam como coisa importante que os peões fossem excluídos do Vale do Ohio no interesse das companhias, também muita gente boa da costa do Atlântico, quando nos tornamos uma nação, sentia graves apreensões e receava ser levada pela extensão do País para as bandas de Oeste.

 

Não faltou quem sacudisse a cabeça a propósito da formação de novos Estados no fértil Vale do Ohio, que é hoje uma parte do próprio coração do País, e declarasse que iríamos até a destruição da República quando, pela aquisição da Luisiana, acrescentamos à nossa Pátria o que é hoje a metade do seu território. E nesse sentimento nada havia que não fosse natural. Só se pôde pedir aos que são ousados, aos que veem longe, experimentar o sistema de expansão, porque o País que engrandece é um País que entra em uma grande carreira, e, com a sua grandeza veem necessariamente perigos que aterrorizam a todo mundo, salvo os homens de grande coragem.

 

Nós nos temos engrandecido retalhando a selvageria em territórios e fabricado com esses territórios novos Estados quando receberam, na qualidade de residentes permanentes um número bastante de indivíduos de nossa própria raça. Sendo uma nação prática, nunca experimentamos impor a seção alguma de no nosso território uma forma não apropriada de Governo, unicamente porque essa forma convinha a outras regiões, que se achavam em condições diferentes. Do território coberto pela antiga Luisiana, por exemplo, uma só porção recebeu, no fim de alguns anos, o privilégio de se constituir em Estados; enquanto uma outra parte não tem ainda obtido este favor, bem que um século se haja escoado desde a sua aquisição, bem que sem dúvida seja em breve chamada a obtê-lo. Em cada um desses dois casos, temos mostrado o gênio prático da nossa Nação dividindo os métodos segundo as necessidades, não insistindo pela aplicação igual de algum plano abstrato a todas as nossas novas concessões, por mais incongruente que pudesse parecer em certos casos uma tal aplicação. Nossa população se espalhou, todavia, sobre a maior parte dos territórios, em uma proporção tão considerável, que pudemos, no correr do século XIX, formar Estados sobre Estados, provido cada um de uma completa independência local relativa ao que diz respeito unicamente aos seus próprios interesses domésticos.

 

Essa independência é idêntica à dos treze Estados de origem, ligado todavia cada Estado novo pela mesma fidelidade à União. Essa maneira de proceder é essencialmente moderna e de origem puramente americana, enquanto que Washington via, durante a sua presidência, novos estados entrarem na União, em pé de completa igualdade com os antigos, cada nação europeia, que possuía colônias, continuava a administrá-las como dependências, e cada mãe Pátria tratava o colono não como um igual governando-se por si mesmo, mas como um súdito.

 

O sistema de que tivemos a iniciativa foi seguido depois por todas as grandes nações, capazes ao mesmo tempo, de expansão e de autonomia, e agora o mundo inteiro o aceita como processo natural, como a regra. Há cerca de 120 anos esse processo era, não só excepcional, mas, mesmo desconhecido. Tal é, pois, a grande significação histórica do movimento de contínua expansão, de que a aquisição da Luisiana foi a prova mais edificante.

 

Ficará mesmo assinalada em alto relevo, nos fastos de uma nação, cujos membros foram tomados por um processo de seleção natural entre os indivíduos mais empreendedores das diversas nações da Europa Ocidental, a aquisição do nosso vasto território. Foi, com efeito, não somente a obra dos grandes homens de Estado, aos quais imediatamente a devemos, mas, também, o resultado do caráter agressivo e dominador do nosso povo ousado, a cuja inquieta energia deram esses estadistas uma direção e um fim. E a verdade é que ele tem sempre ido mais longe do que o conduzem…

 

Temos o direito, o mais legítimo, de nos orgulhar dos altos feitos dos nossos antepassados; mas, seria mostrarmo-nos indignos de ser seus descendentes, se tomássemos o que eles fizeram por desculpa, para ficar deitados e inativos, em lugar de ver nisso o encorajamento para nos elevarmos à altura deles, pelos nossos atos.

 

Os dias passados foram grandes, porque os homens que viviam, então, tiveram poderosas qualidades; a nós outros, mostrando as mesmas, compete tornar também grandes os novos dias. Devemos ter coragem, resolução, tenacidade, ousadia e fertilidade de recursos. Armemo-nos de virtudes fortes e viris. Saibamos provar que, além de termos a consciência do que somos e do que valemos, respeitamos o direito dos outros.

 

Em suma, demonstraremos sempre o nosso horror pela crueza, pela brutalidade, pela corrupção, tanto na vida pública como na vida privada. Se nos faltarem algumas dessas qualidades, cairemos miseravelmente; mas, se como eu creio, de nenhuma delas, estamos privados, procuremos levantar no futuro essas qualidades do passado a um nível ainda mais alto, e então no século que se inicia, faremos desta República a Nação mais livre, mais bem constituída, mais justa e mais poderosa de todas que tem surgido até hoje da noite dos tempos. […] (O PAIZ, n° 10.605)

 

Autor e Fonte: Hiram Reis e Silva

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