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Caso Lázaro desperta discussões sobre pistolagens e leis brandas

Publicado em: 29/06/2021 - 10:13

O caso Lázaro provoca discussões e reflexões sobre dois temas que o Brasil não pode deixar de debater e solucionar. Um é a hipótese de crime de pistolagem em favor de latifundiários que cobiçam terras de agricultores. Outra é que a legislação de execuções penais no Brasil precisa ser revista, apesar de um sistema jurídico falho, que muitas vezes prende inocente e solta culpados.

A polícia de Goiás pode ter sido humilhada e trapaceada não por Lázaro, mas por uma organização criminosa que aplica o terror para a compra de imóveis rurais a preço muito abaixo do valor. Essa é a principal linha de investigação iniciada mesmo durante o período de captura, onde percebeu-se inúmeras pistas falsas e possíveis proteções ao foragido. Desvendar esse mistério é fundamental para a reputação da polícia goiana e para dar fim ao possível bando que aplicou o terror nesses dias. A crise agrária que provoca a violência no campo tem várias vertentes e a pistolagem é apenas uma delas.

Esse tipo de ação criminosa não é novidade no Brasil. Aqui mesmo em Rondônia, principalmente nas décadas de 1970 e 1980, na era da colonização, era comum a pressão do latifúndio pelas propriedades dos pequenos agricultores. A prática ainda acontece em todo o País, com diversas famílias sendo destruídas por causa de gananciosos que contratam jagunços para tomar posse das terras alheias ou comprar a preço de nada.

Outro fato que precisa voltar ao debate e ter soluções é o modelo atual de execução penal. Criminosos de alta periculosidade tem privilégios legais para gozar de cumprimento de pena fora da cadeia. A flexibilização que garante relaxamentos ou abatimentos de penas contribuem para que criminosos não tenham temor de punições severas, contando com o jeitinho de escapar da punição, saindo pela porta da frente com alvará. A legislação precisa ser revista para diferenciar pessoas que colocam em risco a sociedade para pessoas que praticam crimes casuais e são socialmente recuperáveis.

 

Autor e fonte: Solano Ferreira

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