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Como o menino tirou a água da canoa

Publicado em: 14/07/2021 - 4:29

Estamos no inverno. No dia anterior choveu bastante, inclusive na praia. Há muitas canoas lá. Nessa época o vento é fraco. Sem o vento forte do verão as águas do mar ficam calmas lembrando uma imensa lagoa, com vários tons de cores. Mais próximo da praia a água é cinza, por causa da lama típica de área de manguezal. Mais para dentro, o mar apresenta tonalidades de azul e verde que aparecem e desaparecem de acordo com a posição do Sol e das nuvens.

No dia seguinte, após a chuva, o Sol apareceu com toda sua intensa luminosidade. A quase total ausência de nuvens foi substituída por variação infinita de azul. Era como se fosse um dia de verão.

A chuva encheu as canoas. No meio da tarde, quando o Sol não reinava mais soberano, porque nuvens negras resolveram aparecer, dois meninos apareceram na praia. Um maior que o outro. O menor trazia uma banda de bola de futebol branca de plástico, a qual usava como boné. Mas a mantinha na mão direita.

O outro, o maior, chegou perto de uma da canoa. A que tinha o nome Porto Seguro, gravado na lateral da proa. A canoa estava coberta por palhas secas de coqueiro com alguns pedaços de madeira servindo de peso para o vento não as levar.

Tirou um pouco de palha, olhou para dentro da embarcação miúda e constatou que tinha água dentro dela. Encontrou, além da água, uma vasilha e começou a tirar a água. Fazia um movimento que forçava a água sair da canoa, formando um arco e sumindo quase que imediatamente na areia da praia.

Enquanto isso, o menor continuava brincando com sua meia bola e ao mesmo tempo fazendo companhia para o maior, que continuava esvaziando a embarcação.

Depois de provocar muitos arcos com a água, conseguiu secá-la. Colocou novamente as palhas cuidadosamente, arrumou as demais, olhou se estava tudo certo e se afastou.

Correu em direção do seu amiguinho que continuava distraído brincando, aplicou-lhe um leve cascudo na cabeça e correu na direção de onde veio. O outro, levou a mão à cabeça e correu atrás do seu provocador e os dois sumiram da praia alegres e felizes.

 

 

Autor e fonte: Sérgio Ramos

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